Educação artística na primeira infância: por que seu filho deve fazer arte

Brincar de massinha, construir um mural com diferentes texturas e ouvir música são atividades que contribuem para o desenvolvimento global do pequeno

Cabeça, mão e coração. A arte tem o potencial de estimular o desenvolvimento intelectual, físico e emocional da criança. Por isso, o bebê pode — e deve — entrar em contato com ela desde o início da vida.

Cheiros, texturas, sons e brincadeiras estimulam os cinco sentidos. Cynthia Marmo, coordenadora pedagógica do berçário e infantil 1 da escola Santa Maria, explica que a arte permite o desenvolvimento de um trabalho cognitivo multi sensorial. “Ela trabalha visão, olfato, paladar, tato e audição. Por isso, começamos o trabalho no berçário, com cheiros e texturas, e vamos evoluindo”, diz.

EXPRESSÃO DAS EMOÇÕES E APRENDIZADO

Segundo a educadora, a importância da arte no desenvolvimento infantil começa pela expressão das emoções. À medida que os bebês compreendem como o mundo funciona, encontram dentro de si novas maneiras de expressar o que estão vivenciando. Rabiscar uma folha de papel, mesmo sem forma, pode ajudar a demonstrar sentimentos.

A arte também aflora a criatividade, o que tem papel fundamental no desenvolvimento intelectual. “É pela arte que as crianças enxergam o mundo de novas formas, além do óbvio”, destaca Cynthia. “Primeiro elas aprendem a rabiscar e depois a desenhar. Aos poucos elas vão cantarolando, inventando personagens… no futuro, esses rabiscos viram letras, o que abre caminho para que sejam alfabetizadas”, completa.

Fazer arte é, ainda, uma oportunidade de ensinar às crianças a reconhecer o outro e a lidar com diferenças. Na escolinha, Cynthia trabalha murais coletivos com os pequenos. Por meio de colagens e recortes, eles identificam pessoas com diferentes etnias, características físicas e até mesmo deficiências.

Pela convivência, o aprendizado continua: as características identificadas na brincadeira artística servem de pano de fundo para que as crianças aprendem a se respeitar. “Elas entendem que alguns tem cabelo liso, enquanto outros tem cabelo cacheado. Também enxergam, por exemplo, que existem diferentes cores de pele”, afirma a educadora.

CABEÇA, MÃO E CORAÇÃO

Para que a brincadeira artística seja completa, pode-se apostar em diferentes atividades e materiais. A pintura é uma das mais recorrentes. Ao misturar as cores, aprende-se a obter tons secundários. Carimbar as mãozinhas e pézinhos no berçário é outra tarefa deliciosa.

Trabalhos com texturas, como os murais sensoriais, ensinam o pequeno a identificar o que é áspero, o que é macio e assim por diante. Mas a lista de materiais não termina aí: massinha, gelatina, sucata, areia da lua… tudo vale.

Para divertir o pequeno e estimular seus sentidos, também vale transformar objetos simples em brinquedos. Decorar uma garrafa com gel e lantejoulas e encher o seu interior cada vez com um grão diferente, como feijão ou milho, é forma de ensinar diferentes sons à criança pelo ato de chacoalhar.

Por fim, música de fundo embala as atividades artísticas. Brincar de tocar instrumentos ou simplesmente ouvir canções estimula com o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. “Nesses momentos você percebe até como ela está, se aconteceu algo dentro de casa… é impressionante. A música trabalha muito a sensibilidade”, diz Cynthia. “Colocamos a música de fundo enquanto ela trabalha com a mente e o coração. E as mãozinhas também: trabalham com muita dedicação e bastante afinco”, finaliza.

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