Dez bons motivos para investir na primeira infância

Qual o impacto de ler para aquele bebê que não vai se recordar de nada disso quando crescer? Ou que diferença faz faltar em algumas consultas do pré-natal? E ainda: como a interação com familiares pode fazer com que a criança seja mais segura na vida adulta?

A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV), que atua a favor do desenvolvimento integral da criança, lista 10 formas de investir na primeira infância, assim como o que a sociedade tem a ganhar com isso. A Fundação defende, com dados e números, que intervenções na primeira infância podem ter efeitos positivos sobre aprendizado, comportamento e saúde.

primeira infância

Veja como investir na primeira infância e o que todos nós temos a ganhar:

1 – Seis consultas no pré-natal

Os cuidados começam assim que a mãe descobre que está grávida. O Ministério da Saúde recomenda que a mãe faça pelo menos seis consultas ao longo da gravidez, com intervalo máximo de oito semanas entre cada atendimento.

Ganhos: Durante as consultas, o médico obstetra irá avaliar a saúde da mulher e o desenvolvimento do bebê, para descartar complicações. Ele também poderá orientar para que o feto nasça em plena saúde.

2 – Ampliação das licenças maternidade e paternidade

Segundo a FMCSV, ampliar a licença paternidade em 20 dias custaria R$99 milhões para o governo do Brasil. Parece muito, mas isso corresponde a apenas 0,009% da arrecadação federal.

Ganhos: Isso traria benefícios para toda a família. A licença paternidade melhora a divisão de tarefas domésticas e o pai fica mais presente na vida da criança, o que traz impactos positivos para o desenvolvimento do bebê. Já a mãe, com mais ajuda, fica mais segura e tem mais chance de conseguir manter a amamentação exclusiva até os seis meses.

3 – Amamentação exclusiva até os seis meses

O Ministério da Saúde recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses de idade.

Ganhos: Aumento de 20 a 30% do crescimento da matéria branca do cérebro, responsável pela rapidez das sinapses.

4 – Passar mais tempo com a família

O primeiro vínculo que o bebê constrói é com a mãe. Em seguida, começa a interagir com outros membros da família, amigos e cuidadores. Interagir com os familiares, construir um vínculo forte e exercitar a autonomia faz com que a criança se sinta segura, autoconfiante, independente e menos agressiva.

Ganhos: Passar mais tempo com o pai e a mãe pode reduzir em 5% a taxa de evasão escolar nos casos de famílias em situação de vulnerabilidade social. Entre famílias com melhores condições de renda, a taxa é de 3%.

5 – Acompanhamento domiciliar e saúde

Várias políticas públicas devem ser implementadas para garantir o desenvolvimento da primeira infância, em especial entre as comunidades carentes. A primeira diz respeito ao acompanhamento domiciliar e atendimento à saúde para crianças que vivem em ambientes desprotegidos.

Ganhos: Os benefícios são muitos, mas combater a violência e a falta de saneamento básico permite que as crianças continuem na escola e tenham uma possibilidade de futuro promissor.

6 – Creches e pré-escolas de boa qualidade

Apenas 29,6% das crianças brasileiras frequentam a creche, o que significa que 3,5 milhões delas ainda não estão matriculadas. A criação de mais vagas é urgente, assim como a criação de políticas de nutrição e saúde que permitam a continuidade na escola.

Ganhos: Mais crianças na escola e aumento do nível médio de educação da população.

7 – Apoio para famílias e cuidadores

Investir no desenvolvimento das capacidades dos pais e cuidadores, para que deem toda a atenção e cuidado necessários para o bebê.

Ganhos: Ajuda a garantir o bom desenvolvimento da criança durante seus primeiros anos de vida.

8 – Educação de qualidade até a vida adulta

Evitar que as crianças interrompam os estudos antes do tempo — ou que sequer comecem a escola — além de melhorar significativamente a qualidade do ensino.

Ganhos: Frequentar boas creches e pré-escolas melhora o desempenho escolar ao longo de toda a vida, acelera a capacidade cognitiva e estimula o comportamento social.

9 – Autonomia ou brincar

As brincadeiras devem ser consideradas pelos adultos como uma das atividades mais importantes na vida da criança. É diversão, mas também aprendizado e desenvolvimento.

Ganhos: Ao brincar, a criança se desenvolve. Ao observá-la brincar, adultos compreendem como ela vê e constrói o mundo, como gostaria que ele fosse, quais prazeres sente e quais desafios enfrenta.

10 – Estímulo e vínculo

Considerar a leitura conjunta entre pais e filhos é uma ótima forma de estabelecer vínculo e estimular a linguagem.

Ganhos: Além do estímulo da linguagem, ler junto com os pais contribui para que a criança se sinta segura para construir seu caminho de autonomia e convívio social.

Bibliografia: Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (Infográfico “10 motivos para investir na primeira infância”)