Impactos positivos da presença do pai na criação dos filhos

Historicamente, cuidar das crianças sempre foi função das mulheres. Mas aos pouquinhos, isso está mudando. A presença do pai é importante e causa impactos positivos no desenvolvimento da criança e no bem-estar da família. Quanto maior a conexão entre o homem e seu bebê, maiores são as chances de ambos se tornarem cidadãos mais felizes, produtivos e engajados.

Segundo o relatório “Situação da paternidade no mundo”, divulgado pela ONG Promundo, cerca de 80% dos homens serão pais biológicos em algum momento de suas vidas. No entanto, a parentalidade ainda fica reservada às mulheres. Elas são as principais responsáveis pela contracepção e pelos cuidados quando ficam grávidas e têm filhos.

Milena Santos, coordenadora da área de Paternidade e Cuidado no Promundo, diz que o pré-natal é um bom momento para começar a envolver os pais na dinâmica de cuidados. Ela afirma que 78% dos homens vão a pelo menos uma consulta. A instituição treinou alguns profissionais de saúde para trabalhar as questões da paternidade com o sexo masculino e apresentou uma proposta para o Ministério da Saúde.

Em parceria, Promundo e Ministério da Saúde criaram um curso online para preparar mais profissionais. As organizações entendem que essa é uma forma de reduzir inúmeros problemas de uma só vez, como a delinquência infantil e a violência doméstica.

presença do pai

Impactos da presença do pai

Há uma série de benefícios criados pela presença do pai na criação do bebê e isso tem início ainda na gravidez. “O bebê que tem a presença constante e criação de vínculo com o pai desde a gestação tem o melhor desenvolvimento cognitivo e melhor aprendizagem”, afirma Milena.

Após o nascimento, a presença do pai tem um impacto positivo na duração da amamentação, que pode se estender por um período maior. Com a ajuda do pai, a mãe fica menos cansada e tem o apoio emocional necessário durante o puerpério.

A presença paterna também contribui para que as crianças tenham melhor rendimento escolar e sobretudo as ensina sobre igualdade de gênero. Meninos que foram cuidados pelo pai provavelmente irão tomar conta da casa no futuro, se envolver na criação dos filhos e serão menos violentos, enumera a especialista.

O homem também se beneficia da paternidade. “Eles começam a cuidar mais da própria saúde, se sentem mais felizes e relaxados”, afirma Milena. Além disso, cuidar de uma criança é desafiador e exige a capacidade de ser multitarefa.

 

Passinhos de formiga

O envolvimento dos homens está aumentando e, segundo a pesquisa do Promundo, pais querem participar mais da criação dos filhos. Mas em nenhum lugar do mundo sua atuação se compara a das mulheres. Elas compõem 40% da força de trabalho formal no mundo, mas continuam realizando de duas a 10 vezes mais trabalho doméstico e de cuidado do que os homens.

Mesmo nas sociedades mais progressistas, como Suécia e Canadá, a mulher ainda é a principal responsável por tudo que diz respeito ao lar.  No Brasil, a realidade está mudando a passos de formiga, mas já é possível notar avanços.

No ano passado, foi aprovado o Marco Legal da Primeira Infância, que amplia a licença paternidade para 20 dias, mas a adesão das empresas ainda é opcional.

O governo determinou que para ter direito aos 20 dias, o homem deve fazer um curso de cuidados para “aprender a ser pai”. O curso dura 16 horas e é baseado nas aulas oferecidas pelo Ministério da Saúde e pelo Promundo para profissionais de saúde.

É preciso mais. O próprio Promundo, em parceria com outras instituições, constrói redes para pressionar o governo a criar novas políticas públicas pela equidade de gênero. “A paternidade tem sido muito vista fora do Brasil como uma forma de mudar a cultura e paradigmas. É uma tendência global”, finaliza Milena.

Bibliografia: Promundo (“A situação da paternidade no mundo”)