Amamentação previne obesidade infantil

Cerca de 41 milhões de crianças menores de cinco anos estão acima do peso no mundo todo. A obesidade infantil é uma epidemia global e foi reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como um dos problemas de saúde pública mais graves do século 21. Dar atenção à nutrição dos pequenos é urgente e isso significa discutir a importância da amamentação.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, algumas causas são determinantes para a obesidade na infância, como o desmame precoce e a introdução de alimentos complementares inapropriados. O sobrepeso infantil é um fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças, como colesterol e pressão alta. Além disso, aumenta as chances do excesso de peso na vida adulta.

obesidade infantil

 

O que é obesidade infantil?

A obesidade caracteriza-se pelo acúmulo de tecido gorduroso em certas regiões ou no corpo todo. É uma doença crônica e complexa, causada por vários fatores. Na maioria dos casos, têm origem genética e comportamental.

Na primeira infância, há alguns fatores que podem desencadear a obesidade: desmame precoce, introdução de alimentos inadequados na dieta, ganho de peso desmedido no período gestacional, distúrbios do comportamento alimentar e relação familiar inadequada.

Não tratar a obesidade infantil é um risco sério, pois quem tem sobrepeso na infância pode apresentar doenças na fase adulta. Também é possível que a criança adquira precocemente doenças que só viria a desenvolver quando mais velha, como distúrbios cardiovasculares.

Mais importante do que tratar é prevenir. Como a amamentação e a obesidade infantil caminham de mãos dadas, esse é o primeiro aspecto para o qual os pais devem se atentar.

Amamentação e obesidade infantil

O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e a manutenção da amamentação até os dois anos de idade. No entanto, exames nacionais mostram que, em média, mães amamentam por menos de dois meses.

Cada mês de amamentação materna está associado à redução de 4% no risco de desenvolvimento de excesso de peso. Segundo a FMCSC (Fundação Maria Cecília Souto Vidigal), estudos nacionais apontam que amamentar o bebê por mais tempo tem efeito protetor contra a obesidade infantil.

A amamentação provê ao bebê uma alimentação com composição nutricional adequada, até porque, durante a mamada, quem controla a quantidade ingerida é a própria criança. Portanto, desenvolve um melhor autocontrole do consumo de alimentos.

Além disso, a obesidade tem forte ligação com os aspectos emocionais e as vivências prévias do indivíduo. A primeira pessoa com quem o bebê se relaciona é a mãe. Ela será capaz de cuidar dele e suprir suas necessidades básicas, dando carinho e o ensinando a interagir com o ambiente. Portanto, a qualidade do vínculo que a mulher estabelece com seu filho é essencial para o seu desenvolvimento saudável.

O bebê começa a conhecer o mundo por meio de sensações. Uma delas é o paladar. Ele tem contato com a mãe por meio da boca e satisfaz tanto a fome, quanto suas necessidades emocionais. Para que a criança desenvolva uma relação saudável com a alimentação, o momento de comer deve ser tranquilo e livre de angústia, pressa ou desconforto.

A Sociedade Brasileira de Pediatria também aponta que muitas mulheres alimentam seus filhos além da conta, como forma de compensar o tempo que passam no trabalho, por exemplo. Assim, o bebê irá desenvolver uma relação de compensação com a comida. Sempre que se sentir angustiado ou cansado, poderá descontar tudo na alimentação.

A obesidade infantil é uma doença cuja base emocional pode ser identificada pelo tipo de vínculo entre mãe e filho, relação com a alimentação quando bebê, estilo de vida sedentário e hábitos alimentares inadequados. A ingestão de alimentos de alto valor calórico durante a primeira infância, assim como a quantidade de tempo gasta em atividades como ver TV ou jogar videogame, são fatores de risco.

Como prevenir a obesidade infantil

A fase intrauterina e a primeira infância são períodos críticos para o desenvolvimento da obesidade. Os pais devem procurar um pediatra que possa medir os fatores de risco e, se for necessário, elaborar um plano de prevenção.

No pré-natal, o médico poderá identificar os fatores de risco familiares e genéticos, avaliar o estado nutricional da gestante, orientar sobre a alimentação adequada e estilo de vida, além de prevenir o nascimento de bebês prematuros ou abaixo do peso.

Após o nascimento, o pediatra poderá:

– Avaliar e monitorar o peso da criança, calculando seu índice de massa corporal (IMC) e preenchendo as curvas de crescimento de forma adequada.

– Estimular o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida e o aleitamento materno complementar até os dois anos, caso seja possível.

– Indicar alternativas saudáveis ao aleitamento materno, quando a mãe não puder amamentar.

– Informar os pais sobre a atenção e o respeito aos sinais de saciedade do bebê, como parar de mamar, fechar a boca, desviar a face, brincar com o mamilo ou dormir.

– Educar os pais sobre como regular a alimentação e não forçar a ingestão excessiva, quando o bebê não quiser comer.

– Ensinar os pais a identificar os diferentes tipos de choro, pois nem todo choro significa fome.

– Orientar sobre a alimentação complementar de acordo com as necessidades nutricionais e desenvolvimento da criança.

– Ressaltar a importância da qualidade da alimentação, estimulando o consumo de frutas, verduras e legumes. Também é preciso ficar atento a quantidade e tipo de gordura consumida.

 

Bibliografia: Sociedade Brasileira de Pediatria, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, IBFAN, ONU Multimídia